O chão gélido batendo contra minhas costas e a parede recém-pintada de azul bebê, com algumas anotações feitas com canetas hidrográficas coloridas, além do monte de lembranças que me atordoavam a cada instante naquele apartamento pequeno, porém aconchegante. Ali, o lugar onde havíamos consumado nosso amor, onde ele escolheu a decoração nos mínimos detalhes, onde ficamos deitados tanto tempo, trocando juras e juras de amor enquanto assistíamos algum filme bobo de comédia romântica. Baekhyun e eu, eu e Baekhyun. Nós tínhamos um passado e um presente, mas eu não quis um futuro.
it's my turn to cry...
25.12, o Natal. Uma data que deveria ser imensamente aguardada por Chanyeol e Baekhyun, deveria, é.
Era uma noite fria e era Natal, mas isso não importava para Baekhyun. Naquele dia ele e Chanyeol completavam um ano de casados. O pequeno Baek esperava ansiosamente o marido que estava prestes a chegar do trabalho, para poderem finalmente comemorar o dia deles. Um bolo pequeno e de chocolate, coberto com fondant de chocolate e morangos por cima, o preferido de Chanyeol, estava no centro da mesa, acompanhado de uma garrafa de vinho e uma carta.
O relógio avançava o ponteiro cada vez mais e não havia um mínimo sinal de Chanyeol.
- Onde... você está? - Perguntava Baekhyun a si mesmo, com os olhos marejados de lágrimas, se debruçando devagar na mesa, adormecendo ali mesmo.
A porta do apartamento fora desbloqueada, fazendo o barulho estrondoso de sempre, despertando Baekhyun. Ele se levantou e coçou os olhos, bocejando, enquanto observava a silhueta do marido silenciosamente se aproximar da mesa em que estava.
- Bae? - Chanyeol se aproximava do rosto de Baekhyun, deixando um selar nos lábios alheios.
- Chan... você bebeu? - O pequenino pôde sentir um cheiro forte de bebida alcoólica e cigarro vindo do marido.
Chanyeol ficara em silêncio por algum tempo, procurando um modo de explicar o que havia acontecido.
- Agora são... - Baekhyun continuava falando, enquanto lentamente olhava o relógio de punho. - É, 02h45. Você ao menos sabe que dia foi ontem? Eu presumo que não. Ontem nós fizemos um ano de casados, sabia, Chanyeol? Só que, diferente de mim, você não liga. Um telefonema... Você ao menos deu um telefonema. - Os olhos de Baekhyun se encheram mais uma vez de lágrimas. Ele encarou o marido, que aparentemente o olhava sem remorso, sem culpa, sem nada. - Nós havíamos feitos planos pra hoje, mas eu tô quase certo de que você não se importa. Aproveite o bolo. - Bae se levanta, derramando lágrimas e lágrimas silenciosamente, pega o casaco mais próximo e sai. Chanyeol estava imóvel e continuava sem dizer uma só palavra. O único movimento que fez até sair do campo de visão de Baekhyun foi se sentar no chão e se encolher ali mesmo.
- O que eu sou pra você, Chanyeol? - Resmungava, choroso, enquanto caminhava sem rumo pelas ruas vazias de Seul. - Será que você tem um outro... alguém? - Ele ria, mas ria como o Coringa. Ria para não chorar. Ria pra apartar a tristeza contínua daquele coração pisoteado pelos pés 44.